Desde a década de 60 a metodologia da Outward Bound atrai a atenção de pesquisadores e estudiosos, principalmente nos EUA e Austrália, todos buscando revelar o quanto, como e porque ela causa um impacto positivo em diversas características não tangíveis, tais como auto-estima, resiliência e competências pró-sociais.

Nos últimos meses duas teses foram publicadas aqui no Brasil, a do Flavio Kunreuther e da Mariana Tomazini que de maneira pioneira trazem conceitos que podem iniciar esse rico debate em nosso país.
No entanto um aspecto pouco explorado no Brasil, que assola qualquer programa sócio-educativo é a necessidade de mostrar a eficácia para financiadores e patrocinadores através da quantificação do efeito de tais programas na vida e bem-estar da criança e e do jovem participante.
Aqui na Outward Bound Brasil, desde 2006 aplicamos uma metodologia chamada Life Effectiveness Questionaire (LEQ). Desenvolvida na Austrália ela consiste de questionários aplicados antes e após o programa que mensuram a auto-percepção do jovem em 10 áreas de desenvolvimento. Após aplicarmos o LEQ em 24 turmas participantes, somando mais de 250 jovens, temos uma quantificação bem razoável e reveladora de nosso trabalho.
Antes de apresentar os números, precisamos esclarecer qual é o significado de um conceito estatístico chamado “tamanho de efeito”. Muito comum nos estudos de metanálise, o tamanho de efeito busca determinar a diferença entre resultados de um grupo com de outro, normalmente o grupo controle. Com o valor de tamanho de efeito pode-se ter uma boa idéia da eficácia de uma determinada intervenção, saindo da idéia simplista “Será que funciona?” para “O quanto isso funciona em diversos contextos?”.
Para você ter uma idéia um pouco mais intuitiva, veja este exemplo: Imagine um grupo com meninas de 14 anos, agora imagine um outro grupo com meninas com 18 anos. A diferença entre a altura dos dois grupos corresponderia a um tamanho de efeito de 0,5, algo facilmente perceptível, mesmo que algumas garotas de 14, fossem tão altas quanto as de 18. Já o tamanho de efeito de 0,8 teria uma diferença maior ainda, algo impossível de não se notar.
Seguindo uma indicação de Fredrich Wolf, acredita-se que um tamanho de efeito maior que 0,25 demonstra que a intervenção teve alguma significância educacional, e quando o tamanho de efeito excede 0,5 a intervenção já atingiu níveis terapêuticos.
A OBB fica orgulhosa ao constatar que com nossos programas a auto-percepção dos jovens mudou de maneira tão significativa em relação a sua auto-estima, auto-confiança, capacidade de liderar e capacidade de trabalhar cooperativamente. Veja o gráfico:
Isso complementa muito os resultados que aparecem a partir de relatos de ex-alunos e educadores que trabalham com esses jovens. Dessa maneira quantificamos aquilo que já percebíamos de maneira qualitativa.
Se você tiver mais interesse em entender nossa metodologia de trabalho, teremos em janeiro a décima quinta turma do curso FEAL (Formação de Educadores ao Ar Livre), uma boa oportunidade para levar para outros contextos nossa metodologia e algumas ferramentas que podem fazer a diferença.
